Crédito da foto: divulgação

Nossa viajante de hoje se chama Loreley Garcia, socióloga de 56 anos que já viajou quase todo o mundo e morou em três diferentes países além do Brasil – Israel, Alemanha e Estados Unidos. Professora da Universidade da Paraíba, ela viaja por diferentes motivos: estudos, lazer e a trabalho. Ela conta que é importante para as mulheres que viajam sozinhas entender a cultura de cada país e região.

Quando viajamos sozinhas precisamos entender que carregamos um padrão de cultura próprio do nosso país e que possivelmente interfere nas nossas experiências enquanto viajantes. Essas diferenças culturais podem criar situações engraçadas, gafes e até mesmo medo ou empatia. É preciso estar aberto as novas experiências, respeitar as diferenças culturais e entender que as coisas não acontecem como gostaríamos.

A escritora Gaía Passareli, autora de livros de viagens aponta a importância de entendermos a cultura local antes de viajar e principalmente o costume de gênero. Alguns costumes locais podem interferir na sua viagem e você precisa estar alerta a isso.

  • Mulheres: Independência Feminina

É muito comum ver preconceito dos países Europeus com relação aos países do leste da Europa. A pesquisadora Hannah Maruci enfrentou grande dificuldade e quase desistiu da sua viagem quando morava na Itália e resolveu que iria conhecer a Romênia. Seus amigos italianos ficaram indignados que ela ia fazer a viagem sozinha, mas mesmo assim ela resolveu que iria. Esse preconceito de mulher viajando sozinha também foi sentido na própria Romênia. Países com uma cultura próxima a nossa são uma boa opção para quem quer começar a viajar sozinha.

 

  • Mulheres e o assédio

O assédio enfrentado pelas mulheres que viajam sozinhas são um problema mais comum do que deveria. Hannah não teve problemas com assédio na Romênia, mas na Itália foi bem diferente. Em alguns países a abordagem em bares e nas ruas podem ser bem semelhante ao Brasil.

Dependendo do lugar, dizer não ao homem podem ser encarado de maneira bem natural, mas na Índia, onde a mulher é totalmente submissa ao homem e o estupro coletivo acontece com muita frequência, a escritora Gaía se sentiu bem acolhida entre as mulheres.

  • Mulheres vs bebida Alcoólica

A relação de bebidas alcoólicas e as pessoas são muito diferentes de país para país. Em alguns lugares, por exemplo, não é permitido beber nas ruas. Nos Estados Unidos existe uma relação bem diferente entre o pagamento de bebida e mulheres em festas. Na maioria das vezes a entrada nas baladas e as bebidas são gratuitas como forma de atrair mais cliente. É uma forma cultural do país e isso não significa que necessariamente haverá uma troca.

Na Itália é comum que os homens paguem as bebidas as mulheres da mesa. Mesmo que seja um encontro entre amigos fica subentendido que o homem é quem paga as bebidas. Já no sul da Índia, não é permitido a venda de bebidas alcoólicas nas ruas somente em hotéis e para turistas. Por isso a escritora Gaía pediu uma cerveja em seu hotel quando estava visitando o Sul do país e mesmo assim foi perseguida por homens até o seu quarto gritando que ela estava tomando cerveja.

  • Mulheres: Religião e Violência

Na Índia é comum cobrirmos a cabeça em sinal de respeito, na Itália cobrir os ombros para entrar na igreja e no Japão tirar o sapato antes de entrar em casa. Em países da Ásia e de maioria muçulmana é recomendável dizer que está viajando acompanhada do marido ou namorado (mesmo que não esteja).

Dependendo do país que você visita, a religião pode interferir na maneira como as pessoas enxergam as mulheres ocidentais que viajam sozinhas. É o caso de Índia e do Marrocos onde as mulheres são vistas como levianas e bastante abordadas para interesse sexuais.

Por outro lado, a maneira como enxergamos a violência pode interferir em nossas viagens. Esse foi o caso de Loreley quando visitou a Alemanha. Acostumada a estar sempre atenta ao caminhar pelas ruas do Brasil, não conseguiu se desvincular da sociedade violenta que temos no Brasil e caminhar calmamente pelas ruas alemães.

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